Gestão: cuide do que está da sua porta pra dentro
Você não controla a economia, os juros ou o concorrente. Mas controla como sua empresa reage a tudo isso.

Tem coisa que o empresário brasileiro já deveria ter aprendido, principalmente os pequenos e médios:
Você não controla todo o cenário, mas é perfeitamente capaz de controlar o que faz dentro dele.
Os juros podem subir, o dólar pode oscilar, o custo pode aumentar, a concorrência pode mudar de estratégia e o ambiente econômico pode até ficar mais complicado, mas você acha mesmo que ficar só reclamando de tudo isso vai mudar alguma dessas variáveis?
Recentemente, durante o Fórum Empreendedor do BTG Pactual, André Esteves defendeu justamente essa ideia: diante de um cenário difícil, o empreendedor precisa concentrar a gestão naquilo que consegue controlar, fazendo a chamada gestão “da porta pra dentro” e acredite em mim, para uma pequena ou média empresa (PMEs), essa lógica é bastante prática.
O que está da porta pra dentro? (controla)
Comece analisando o básico. Irei elencar aqui o que vem à mente, mesmo sem conhecer sua empresa por dentro:
Você controla seus custos.
Seu processo comercial.
Seu atendimento.
Sua equipe.
Seu estoque.
Sua produtividade.
Seu relacionamento com os clientes.
Sua organização financeira.
Sua estratégia de marketing.
Sua presença digital.
Você não controla o mercado, mas controla a maneira como sua empresa se posiciona nele.
E isso faz uma diferença enorme.
O que está da porta pra fora? (não controla)
“Está difícil vender.”
“O cliente não quer gastar.”
“O concorrente está cobrando menos.”
“O governo complicou.”
“O juros está alto.”
“O mercado está parado.”
Pode até existir verdade em tudo isso, mas existe uma pergunta mais importante a ser feita:
O que você está fazendo do lado de dentro da sua empresa para contornar tudo isso?
Duas empresas podem enfrentar exatamente o mesmo mercado e tomar decisões completamente diferentes. Enquanto uma reduz desperdícios, a outra continua gastando como se nada tivesse mudado. Uma acompanha seus números, a outra administra no feeling. Enquanto uma melhora seus processos, a outra continua fazendo tudo manualmente. Uma procura novas oportunidades comerciais, a outra fica esperando o cliente aparecer. Perceba que o cenário é o mesmo, mas a gestão não.
Juros altos exigem uma melhor gestão
Bem, aqui é Brasil... O ambiente de juros elevados afeta empresas porque encarece o crédito e pode pressionar o caixa e os investimentos. No Fórum Empreendedor, o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, destacou justamente o impacto dos juros sobre balanços empresariais e sobre o crescimento. É exatamente aqui que existe uma armadilha que captura muitos empresarios. Quando o dinheiro fica mais caro, algumas empresas simplesmente entram em modo de sobrevivência e começam a cortar tudo. Param de investir, reduzem marketing, adiam melhorias e ficam esperando o cenário melhorar.
Só que gestão não pode ser apenas reação, em momentos difíceis, eficiência ganha ainda mais importância. Você precisa saber onde está colocando cada real.
Qual canal traz clientes.
Qual produto dá margem.
Qual processo desperdiça tempo.
Qual funcionário precisa de uma ferramenta melhor.
Qual atividade pode ser automatizada.
E onde sua empresa está perdendo oportunidades.
Tecnologia da porta pra dentro
É aqui que muita PME falha. Tecnologia não precisa significar uma operação gigantesca.
Pode começar com algo simples como, por exemplo, automatizar uma tarefa repetitiva.
Organizar melhor os dados dos clientes. Melhorar o atendimento. Usar inteligência artificial para ganhar produtividade. Estruturar melhor o processo comercial. Ter uma presença digital profissional. Transformar informações espalhadas em processos mais organizados.
A questão não é usar tecnologia porque está na moda, mas porque faz melhor aquilo que sua empresa já precisa fazer.
Não confunda cenário difícil com empresa sem saída
Tá bom, vai.. Sei que existe mercado difícil, incertezas, aumento de custos, mudança no modus operandi da sua concorrência e tá tudo certo, tudo isso faz parte do jogo empresarial.
Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer um problema externo e entregar sua gestão a ele. Você pode (e deve) acompanhar o cenário econômico. Pode analisar juros, inflação, câmbio, impostos e comportamento do consumidor, mas depois precisa "fechar a porta" e olhar para dentro.
Quanto custa manter sua operação? Quanto sua empresa vende? Quanto sobra? Quantos leads entram? Quantos viram propostas? Quantas propostas viram contratos? Onde você perde clientes? Quanto tempo sua equipe desperdiça? Quais processos poderiam ser melhores? Encontre as respostas a essas perguntas e tomará as redeas da sua empresa.
O empresário não precisa controlar o que está da porta pra fora
Essa talvez seja a parte mais importante.
Você não precisa prever tudo, mas precisa estar preparado para reagir.
Não precisa saber exatamente o que seu concorrente fará amanhã, mas precisa conhecer seus próprios números.
Não precisa esperar a economia ficar perfeita, mas precisa construir uma empresa capaz de operar em um cenário imperfeito.
Sendo bastante sincero com você, cenário perfeito não existe! Esperar por ele pode ser uma das decisões mais caras que um empresário toma.
Olhe pra fora para entender o cenário. Olhe pra dentro para gerir o que tem nas mãos.
Diz aí, o que opina sobre tudo isso? Deixe nos comentários e será uma satisfação lê-lo.











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